Motivação para exercício: psicólogos desportivos revelam o truque mental que funciona a longo prazo

O que mantém a vontade de mexer o corpo quando tudo parece pesado?

Às vezes, depois de um dia a correr entre os compromissos, a ideia de calçar as sapatilhas pesa mais que o cansaço. Já aí andámos todas, não é? Mas o que faz uns continuarem e outros deixarem para depois? Falei com amigas, li um bocadinho e ouvi umas ideias de psicólogos do desporto que, acreditem, trazem um truque mental que persiste no tempo.

Aprender a pensar como os atletas: a psicologia do desporto ao nosso alcance

É um facto que dificilmente alguma de nós se vai tornar numa estrela olímpica, mas o pensamento desses atletas pode ser um espelho para as nossas rotinas. A psicologia do desporto investiga como a mente e as emoções influenciam o desempenho físico, e como podemos usar isso para manter a motivação.

Estas mentes treinadas para a persistência sabem que não basta o corpo estar preparado — a cabeça tem de estar na mesma sintonia. E não pensem que é só durante a competição: o treino mental começa na preparação diária, na forma como encaramos cada passo, cada esforço.

O truque mental que vai fazer o exercício durar

O segredo vem de um conjunto de estratégias para mudar o diálogo interior e o foco. Por exemplo, definir metas claras e desafiantes, mas realistas, ajuda-nos a não desistir. Também visualizarmos mentalmente bons desempenhos e usarmos uma linguagem interna positiva — em vez de pensar no que não conseguimos, imaginar que conseguimos mesmo. Isto alerta o cérebro para o sucesso, mesmo quando a fadiga aperta.

É parecido com aquela conversa que temos connosco quando acordamos e tentamos decidir se vamos dar aquela caminhada no parque Monsanto ou ficar no sofá. Trocar os “não consigo” por “vou tentar, nem que seja só 10 minutos” é um passo que muda o jogo.

11 estratégias para reforçar o treino sem perder o ritmo

Uma amiga psicóloga desportiva partilhou comigo algumas dicas que aplico na minha rotina, e que também vale a pena experimentares. Estas estratégias não são milagres, mas são ferramentas que acabam por se encaixar nas nossas vidas e, com o tempo, fazem uma grande diferença:

  • Definir objetivos a curto e a longo prazo – saber onde queremos chegar ajuda a traçar o caminho;
  • Visualizar sucessos – imaginar como nos sentimos ao alcançar uma meta motiva-nos;
  • Usar uma linguagem positiva – trocar “não quero” por “quero fazer”;
  • Controlar a respiração – manter a calma ajuda a enfrentar o esforço físico com mais clareza;
  • Adotar uma postura confiante – até o corpo influencia o nosso humor;
  • Deixar as desculpas de lado – assumir a responsabilidade pelo que fazemos;
  • Buscar desafios diários – surpreender a nós mesmas mantém o treino estimulante;
  • Focar no que podemos controlar – evitar o desgaste com coisas que fogem ao nosso alcance;
  • Reconhecer e lidar com o medo e a ansiedade – aceitar que o desconforto faz parte;
  • Procurar excelência, não perfeição – pequenas melhorias somam muito;
  • Concentrar-se em si mesma – as conquistas dos outros não diminuem as nossas.

A motivação que se constrói com paciência

Estas estratégias não aparecem da noite para o dia. São um convite para mudar a forma como nos relacionamos com o exercício e connosco mesmas, aceitando que o processo tem altos e baixos. Uma coisa que tenho percebido no meio da minha rotina agitada em Lisboa é que há dias em que correr pelo Parque da Serafina é um hino à liberdade e outros em que o sono e a vontade falam mais alto.

Mas, mesmo nesses dias, aquela conversa interna de incentivo ajuda. Porque, no fundo, a motivação é uma construção que se alimenta com gestos pequenos, repetidos e cheios de intenção, ao ritmo das nossas vidas.

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