A partir dos 60 anos, os preparadores físicos explicam: o exercício que mantém massa muscular

Porque o corpo insiste em perder força e volume com o tempo

Há um momento em que mexer-se como antes se torna um desafio, não é? De repente, as escadas ganham outro peso, e o levantar da cadeira pede um esforço extra. Por volta dos 60 anos, o corpo começa a sentir o que os preparadores físicos chamam de sarcopenia: é essa perda progressiva de massa e força muscular que, para quem vive em Lisboa, pode transformar uma ida tranquila ao Mercado da Ribeira numa pequena aventura.

A verdade é que essa redução da massa magra não é só uma questão estética; altera a mobilidade, aumenta o risco de quedas e faz-nos questionar a nossa autonomia. Mas, pelo que tenho lido e visto, há caminhos para contrariar este processo — passos que passam por cuidar da força muscular, não só para manter o corpo funcional, mas também para a qualidade da nossa vida diária.

Exercícios de força: aliados que aprendemos a amar

Confesso que, como muitas amigas minhas, achava que musculação era coisa de ginásio cheio de halteres pesados e esforço excessivo. Mas ouvindo o que os preparadores físicos dizem, percebi que os exercícios de força são adaptáveis e bem mais acessíveis do que imaginei. Para nós, a partir dos 60, não é preciso exagerar, nem arriscar com cargas exageradas; o segredo está em usar pesos leves, faixas elásticas e até o peso do próprio corpo para tonificar os músculos, pouco a pouco.

São esses exercícios que ajudam a preservar a massa magra e têm ainda o benefício de melhorar a densidade óssea, uma proteção essencial contra a osteoporose, algo que pode afetar-nos mais do que gostaríamos.

Pense nas pequenas vitórias: fazer um agachamento para fortalecer as pernas e glúteos ou uma elevação de calcanhares que ajuda a balançar melhor quando caminhamos pelas ruas de Monsanto. Também me dizem que movimentos simples, como as flexões apoiadas na parede, são ótimos para reforçar os braços e o tronco, e a remada com bandas elásticas tonifica as costas sem complicações.

Como criar uma rotina segura e eficaz para manter os músculos

Montar uma rotina de exercícios quando se tem mais de 60 pode ser um quebra-cabeças, mas não precisa ser complicado ou exaustivo. O essencial é dar tempo ao corpo para se adaptar e nunca passar dos seus limites.

Geralmente, duas a três sessões semanais, com duração de 30 a 45 minutos, incluindo aquecimento e alongamentos, funcionam muito bem. Um aquecimento suave, com movimentos articulares e uma pequena caminhada, prepara o corpo para os exercícios de força.

Depois, escolhemos de cinco a sete exercícios que trabalhem os principais grupos musculares, fazendo uma ou duas séries de 10 a 12 repetições por movimento. O mais importante é respeitar o que o corpo diz e aumentar a intensidade apenas de forma gradual.

Também ajuda termos uma alimentação onde as proteínas estejam presentes, porque elas são fundamentais para manter os músculos a trabalhar bem.

Um corpo forte traz liberdade e dias cheios de pequenos grandes atos

Mais do que o aspecto físico, a força muscular tem reflexos muito práticos na nossa vida: levantar-se da poltrona sem ajuda, atravessar a calçada com segurança, carregar as compras do mercado. São esses gestos que desenham a nossa independência.

Quando percebi como fortalecer os músculos pode ajudar a evitar quedas, dores e até doenças crónicas, entendi que vale mesmo a pena dedicar tempo a esta rotina. É como construir uma reserva para o corpo, que nos permite continuar a desfrutar de um passeio ao fim da tarde no Jardim da Estrela ou aquele café sossegado enquanto observamos os trânsitos da cidade.

Além disso, esses exercícios ajudam a melhorar a postura e a reduzir dores articulares, tornando cada movimento mais confortável — o que é um luxo de saúde nesta idade.

Lista simples para começarmos já a reforçar a massa muscular

  • Agachamentos: fortalecem pernas e glúteos e melhoram o equilíbrio;
  • Flexões apoiadas na parede: mantêm a cadeia superior do corpo forte com segurança;
  • Elevação de calcanhares: reforçam membros inferiores e ajudam na estabilidade ao caminhar;
  • Remadas com bandas elásticas: ativam as costas e ombros, essenciais para postura;
  • Caminhadas leves: complementam o treino e aumentam o bem-estar geral;
  • Alongamentos diários: mantêm os músculos flexíveis e ajudam a recuperar.

Estes passos simples, feitos com calma e atenção, abrem o caminho para uma vida onde o corpo acompanha a vontade, não o contrário.

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